Asteya

Asteya: quando a sensação de falta nos afasta do presente.


A tradução de Asteya, o terceiro dos yamas apresentados nos Yoga Sutras de Patanjali é “não roubar” .

E quando ouvimos a palavra "roubo", quase sempre pensamos em alguém que toma aquilo que pertence a  outra pessoa. Mas roubar não diz respeito apenas a objetos físicos.


Podemos roubar a atenção, o tempo ou a liberdade de escolha de alguém.


E podemos roubar de nós mesmos a oportunidade de viver plenamente a experiência presente porque estamos sempre desejando a próxima experiência.


Em "O Coração do Yoga", T. K. V. Desikachar relaciona Asteya ao desejo e à comparação. 

Quando acreditamos que nos falta alguma coisa, nasce a tendência de buscar fora aquilo que imaginamos não possuir. O roubo, nesse sentido, é consequência de uma percepção de escassez.


Vivemos em uma cultura que alimenta a comparação o tempo todo. Comparamos nossos corpos, nossas carreiras, nossos relacionamentos e até a forma como lidamos com as dificuldades. Quase sempre a conclusão é a mesma: falta alguma coisa.

Falta tempo, competência, dinheiro, flexibilidade, coragem.


Mas será que essa falta é sempre real?

Ou será que, muitas vezes, ela nasce dessa comparação?


Praticar Asteya talvez seja justamente interromper esse movimento de comparação.


Pergunte a si mesma (o): "Em quais momentos tenho roubado de mim a experiência do agora por desejar outro tempo, outro resultado, outra oportunidade, ou outra versão de mim?" 


Pergunte também: “O que eu posso estar roubando do outro e que talvez eu nem esteja percebendo que estou fazendo isso?”

Mandala Rosa

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