Asmita e as histórias que contamos sobre nós mesmos


Tava pensando em como somos rápidos em estabelecer conexões mentais. 


Algo não acontece como imaginávamos, por exemplo: um resultado que não corresponde ao esforço investido e quase imediatamente nossa mente começa a tecer explicações.


E talvez isso não seja um problema em si. Afinal, atribuir significado às experiências é uma das formas que encontramos de compreender a vida. O desafio surge quando deixamos de interpretar os acontecimentos e passamos a transformá-los em julgamentos sobre quem somos.


Muitas vezes, aquilo que mais nos machuca não é o acontecimento em si, mas a narrativa que construímos a partir dele.


A maior vulnerabilidade está na capacidade de permanecer ao nosso próprio lado quando as imperfeições aparecem. Admitir um erro requer coragem. Reconhecer uma falha requer maturidade. Mas a vulnerabilidade verdadeira talvez não esteja em nunca errar. Talvez esteja em continuar caminhando depois do erro, sem transformá-lo em identidade.


Talvez seja essa a diferença entre culpa e responsabilidade. A culpa nos prende ao passado e nos convence de que somos o problema. A responsabilidade nos permite perguntar, com curiosidade e gentileza: "O que posso fazer com isso agora?"


Segundo Desikachar, autor do maravilhoso livro "O coração do Yoga",  Asmita é assumir que "eu sei" e prosseguir com base na memória e em julgamentos passados, em vez de manter uma postura de questionamento aberto e aprendizagem.


Talvez seja por isso que a prática do yoga fale tanto sobre presença. 

Porque, quando estamos presentes, conseguimos perceber a diferença entre o fato e a narrativa, entre a experiência e a identidade.


Nesse espaço, algo se suaviza. O tropeço continua existindo, mas deixa de definir quem somos.

A vida continua nos convidando a aprender, ajustar a rota e seguir caminhando.

Mandala Rosa

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